É fato que a desigualdade do ensino à distância e o acesso a internet são problemas que fazem parte da realidade de muitos cidadãos do país, antes mesmo da pandemia de Covid-19. Tal ocorrido apenas escancarou a desigualdade entre os brasileiros em relação à educação e ao acesso a internet.

Os alunos que não possuem acesso a internet ou a um dispositivo de conexão tais como: computador, tablet ou celular em casa, sentiram esse impacto de maneira mais acentuada. “A diferença educacional em escolas de redes públicas e privadas é alarmante”. Dado obtido do G1.
Nas escolas da rede pública, o desafio é transmitir o conteúdo à distância, para diferentes grupos de alunos, pois não são todos que possuem os recursos necessários para estudar.

Alunos, pais e professores apontam como maiores obstáculos os problemas estruturais (problemas de acesso a computadores e internet, falta de espaço apropriado para o estudo em casa), relação da escola com a família (dificuldade de professores entrarem em contato com os pais dos alunos, baixa participação dos familiares na vida escolar dos alunos e esgotamento
emocional dos professores, que ficam disponíveis 24h para tentar ajudar),problemas sociais (falta de merenda, evasão escolar e maior exposição à violência (sexual, física ou psicológica), e a garantia de entrega do conteúdo para os alunos. Dado obtido do G1.

Outros Caminhos

Podemos observar o caso do estudante Mikael Basílio, de 18 anos, morador de Niterói, que descreve os sentimentos da temporada de ensino a distância. Mikael se preparava desde 2019 para frequentar a Escola de Aprendizes de Marinheiro, mas a pandemia veio e acabou dificultando o seu sonho, pois além da preocupação com o seu último ano de escola, a
dificuldade de adaptação ao ensino remoto e além de tudo o jovem não possui internet própria em casa, o que agravou ainda mais a sua situação.

Diante do cenário atual enfrentado pelo jovem, ele opta pelo concurso e deixa em segundo plano o ensino superior, pelo desânimo que o ensino remoto lhe causou.

Porém, além de todas essas adversidades, o jovem ainda acredita que a educação é um caminho essencial dentro da sociedade, porém, aponta que a estrutura do sistema educacional do país é falha e precisa ser revista, o mesmo não desistiu de seus sonhos e ainda pretende ter a oportunidade de cursar a faculdade de Engenharia Mecânica

São diversos impactos que a falta do acesso pode causar. Neste período onde foi estabelecido o home-office em muitas empresas, também temos os menos favorecidos que por falta de trabalho e renda, ficaram sem acesso e condições de desenvolver suas atividades que antes era rotina.

Contudo, Rafaela Henriques deixa registrado sobre o misto de emoções que muitos de nós passamos neste período de reclusão e também acrescenta sobre o aprendizado adquirido “Um dos principais aprendizados a serem levados em consideração é sobre minha saúde psicológica. Na pandemia, pela primeira vez na vida senti na pele o que é estar verdadeiramente
acompanhada de minha própria companhia”.

“O direito à educação não pode sucumbir à segregação social”, Rafaela Henriques.

E nos alerta para o que pode se transformar o futuro da educação: “A verdade é que tenho medo do futuro da educação, diante da disseminação dos métodos de ensino online. O sucateamento do ensino, por parte do estado, não é, de maneira alguma, um plano recente. Há anos a implementação da educação à distância em nosso país vem sendo uma proposta debatida em âmbitos políticos. E é desde então que eu cultivo o mesmo posicionamento, que soa muito mais como um pavor que me assombra: o direito à educação não pode sucumbir à segregação social. O surgimento e a popularização dos sistemas de ensino remoto e híbrido são
a ferramenta perfeita para a manutenção dessa elitização. É muito importante que a gente não se acostume com esse formato e se esqueça de que ele passa muito longe de ser acessível”.

Confira o vídeo sobre desigualdade no acesso à internet e ensino a distância feito pela Agência de Comunicação Jovens Comunicadores clicando aqui.