Carta dos Jovens Comunicadores aos Conselhos de Juventudes e de Igualdade Racial

Em oficina, os Jovens Comunicadores construíram a carta após exercício sobre democracia participativa. A carta é direcionada aos Conselhos de Juventudes e Igualdade Racial de Niterói, São Gonçalo e Itaboraí e foi construída coletivamente durante atividade da formação. Confira o texto na íntegra.


Somos uma turma de 115 jovens comunicadores atuando em cerca de 40 territórios de periferias, favelas ou comunidades da Região Metropolitana do RJ, mais especificamente em São Gonçalo, Niterói e Itaboraí. Nos autodeclaramos pretos(as) ou pardos(as) (63 jovens), sendo 22 adolescentes e 41 jovens adultos. 

Desse conjunto de jovens negros e negras, somos Cristãos (45%), Ateus e agnósticos (16%), do Candomblé e da Umbanda (14%), Católicos (5%), Espíritas (2%), não declaramos nenhuma religião ou apenas acreditamos em algo maior (20%). E todos juntos queremos fortalecer as políticas para as juventudes e para a igualdade racial das nossas cidades e da região metropolitana do RJ. 

Reconhecendo o papel e o valor dos conselhos de participação política em nossas cidades, listamos 21 pontos da realidade da nossa turma, em especial dos jovens negros e negras, para saber qual política está faltando em Niterói, São Gonçalo e Itaboraí para que esses 21 pontos se transformem em outra realidade pela nossa cidadania. Para cada ponto, perguntamos aos conselhos:

Qual política é necessária considerando a distância entre a nossa realidade e os nossos direitos. Qual é a política dos sonhos para enfrentar cada uma das seguintes situações da nossa realidade? 

O direito do trabalho: Acesso ao primeiro emprego do jovem periférico. 

  • Somos 22 jovens adultos negros e negras sem trabalho ou fonte de renda (54% de um total de 41 jovens adultos).
  • Somos um adolescente que já trabalha. (5% de um total de 22 adolescentes). 
  • Em nossas casas, apenas 1/4 dos jovens não moram com alguém que está procurando emprego.
  • 12 jovens informam renda per capta inferior à cesta básica no Rio de Janeiro e não participa de programas de transferência de renda.
  • Qual política apoia as nossas mães, que, sozinhas, respondem pela renda familiar em 1/3 dos casos. E qual política nos apoia, jovens que sustentamos a renda familiar sozinhos em 17% dos casos.
  • E se todos nós, jovens negros e negras, morássemos numa única casa e juntássemos toda a renda familiar produzida teríamos R$ 36.530,04, cerca de 160 reais por pessoa nessa casa. O valor é quase 5 vezes inferior ao necessário para uma cesta básica individual no Rio de Janeiro (770 reais, DIEESE).

O direito da educação e ao planejamento familiar 

  • Somos 6 jovens que abandonamos os estudos (10% de um total de 63 jovens)
  • Somos 13 jovens que temos filhos (21% dos jovens da turma)

O direito à saúde e à cidade

  • 79% de nós dependemos apenas do SUS e nada mais para a nossa saúde.
  • E temos pessoas em nossas casas com doenças graves como hipertensão e diabetes
  • E outras convivendo com a síndrome de down, deficiência física, auditiva e na fala, visual e intelectual.
  • 52% de nós percebemos que o uso de álcool e drogas em nossas casas já nos ofereceu algum risco
  • 14% dos jovens da turma vivem em áreas de risco ambiental
  • 19% vivem em áreas sem saneamento básico, sendo que outros 10% nem sabem dizer. 

Direito à Comunicação

  • Sentimos os prejuízos de uma internet de qualidade
  • Vemos a necessidade de investir na transparência das políticas públicas, com escutas da população por meios de fácil acesso, como por exemplo os jovens comunicadores de periferias.

Direito ao transporte e à mobilidade urbana

  • Falta de transporte público ou transporte muito demorado nas nossas cidades, que prejudica o emprego, a saúde, o lazer, a educação e a cultura. Fortalecimento dos transportes que já existem e criação de novos modais (ex.: Linha 3 do Metro) e uma estrutura efetivamente urbana (falta de pavimentação). 

Cultura

  • Fortalecer os movimentos de cultura dos jovens, desde as pequenas às maiores iniciativas, como as rodas culturais, cinemas ao ar livre, espaços culturais, rodas de samba e pagode, especialmente em São Gonçalo e Itaboraí.

Segurança

  • Fortalecer a vigilância sobre os policiais, com o uso de câmeras nos uniformes.
  • Investir na capacitação contínua da guarda municipal dos nossos municípios, especialmente para ações com ambulantes
  • Fortalecer ações de acesso à justiça, com clínicas de assistência jurídica popular, divulgação dos canais existentes, como a defensoria pública e também a divulgação de direitos básicos relacionados à segurança.

Assinaram

  1. Julia Oliveira
  2. Thaina Pereira da Silva  
  3. kamily vitoria
  4. Alex Oliveira
  5. Julia Cristina
  6. Maria Luiza Neves
  7. Thaina Pereira da Silva
  8. Marcelly Souza
  9. Fernanda Oliveira
  10. Max Harrigam
  11. Kamily Souza
  12. Andressa Oliveira 
  13. Caio Augusto Rocha da Silva
  14. Miguel Oliveira
  15. Gabriel
  16. Christielly Souza 
  17. Rayanne
  18. Gabrielly Vitoria
  19. Milena Reis Fernandes
  20. Luiza Martins
  21. Miguel Mesquita
  22. Geovanna
  23. Milene
  24. Angelo
  25. Julia Costa
  26. Thainara
  27. Thaysa Rosa
  28. Wendy
  29. Maria Eduarda
  30. Kamily Teixeira
  31. Lua Santana
  32. Letícia Félix

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