Alex Gomes, presidente do Pela Vidda Niterói. Coordenador da Agência Conexão Saúde.
No Dia Mundial de Luta contra a Tuberculose, firmado em 24 de março, o cenário global e nacional segue marcado por contrastes: enquanto avançamos em diagnóstico e tratamento, ainda convivemos com lacunas profundas em vigilância, acesso e comunicação. A tuberculose continua entre as principais causas infecciosas de morte no mundo, especialmente no contexto da coinfecção com HIV. Um tema que deveria estar no centro do debate público, mas que muitas vezes segue invisibilizado.
No Brasil, o Boletim Epidemiológico, do Ministério da Saúde, aponta mais de 84 mil casos em 2024 e mais de 6 mil mortes: são 17 por dia, quase uma morte por hora. A data é um chamado à sensibilização da sociedade e das autoridades para enfrentar a negligência histórica em torno de uma doença grave, com cura e tratamento gratuito pelo SUS, mas que ainda mata.
O estigma associado à tuberculose, alimentado por desinformação e por associações equivocadas com pobreza e comportamento, afasta as pessoas do diagnóstico e dificulta a adesão ao tratamento. Para quem vive com HIV, o peso é ainda maior: o medo da dupla discriminação aumenta a vulnerabilidade. Ao mesmo tempo, a linguagem sensacionalista ou a ausência de vozes diretamente afetadas nos meios de comunicação contribuem para manter o silêncio.
Falar sobre tuberculose exige responsabilidade. Não dá para reforçar exclusões nem tratar o tema superficialmente. É preciso comunicar com cuidado, trazendo informação de qualidade, valorizando as experiências reais e fortalecendo a importância da prevenção e do tratamento.
O enfrentamento da tuberculose (TB) passa por estratégias mais amplas e conectadas: transformar dados em histórias que façam sentido para as pessoas, construir campanhas que dialoguem com populações em seus territórios e linguagens, integrar efetivamente a atenção primária, os programas de HIV e a vigilância, e usar as redes sociais de forma responsável para combater fake news e reduzir estigmas.
A tuberculose é uma doença contagiosa, transmitida pelo ar, por gotículas liberadas ao tossir, falar ou espirrar.
Qualquer pessoa pode ser infectada. No entanto, atinge mais quem vive em contextos de maior vulnerabilidade, como locais com pouca ventilação, pouca exposição ao sol e dificuldades de acesso aos serviços de saúde, o que reflete desigualdades sociais.
Por isso, reconhecer os sintomas é fundamental: tosse por mais de três semanas, febre (geralmente no fim da tarde), suor noturno, cansaço, perda de apetite e emagrecimento. O tratamento dura, em geral, seis meses, é gratuito e, quando iniciado no tempo certo, evita complicações e internações. Após cerca de 15 dias de tratamento, a transmissão já é interrompida.
Falar de tuberculose é, acima de tudo, falar de acesso, dignidade e direito à saúde. E isso precisa estar no centro das nossas ações, todos os dias, não só em 24 de março.